segunda-feira, 26 de julho de 2010

Chuva de lágrimas ..



A chuva cai e com ela, a melancolia de um entardecer triste. O vento balançando a copa das árvores se assemelha ao vai e vem da menina que antes brincava no balanço. As pessoas procuram se esconder em lugares cobertos e iniciam um papo cordial de como o tempo mudou.. A mãe protege o filho com uma capa de plástico. Desconhecidos dividem um lugar no guarda-chuva. A mulher sai do salão de beleza e tenta cobrir o cabelo com o livro que estava jogado no carro. O homem tenta, inutilmente, não molhar os sapatos recém engraxados. A chuva continua caindo..
No meio da rua, observo os pingos d’água caírem no asfalto. O calor é substituído por uma brisa que bate suavemente pelo rosto. As pessoas correm para suas casas. Agradecem por terem chegado logo, deitam embaixo do edredom e desejam tomar uma sopa quente. É só mais um dia de chuva..
Deixo as gotas lavarem minha alma. Posso enfim, exteriorizar as lágrimas que tanto guardei. Não sei mais distinguir o que sai de mim e o que vem da chuva.
O vento bagunça meus cabelos e varre o rastro de dor do meu peito. Meu olhar se funde com céu cinzento. O dia triste e tedioso é a representação perfeita do meu interior.. As ruas estão vazias, somente alguns carros passando.. A cidade se encolheu. Meu corpo se fechou.
Os olhos vermelhos escondem a fúria de um coração desmatado. Espero, ansiosamente, que as gotas de chuva ajudem a apagar o incêndio da dor.
A chuva cessou..
Por dentro, o temporal ainda cai. Nuvens negras anunciam tempos difíceis. Raios e trovões acendem o céu. A energia acabou. A escuridão impede que a esperança veja a luz.. Fechei meus olhos. Me agarrei em um galho que havia caído com a forte ventania e deixei que a chuva de lágrimas, seguisse molhando meu peito..

Um comentário:

Rafinha disse...

Sempre de muito bom gosto os textos Mari, parabéns!!!!