quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mundo meu. Meu mundo..




Espero com ansiedade pela ultima apresentação do astro rei. A brisa suave anuncia o despertar tímido da lua. Cheia.
Os reflexos iluminando a alma, enchendo os olhos e acelerando o coração. Coloco a mochila nas costas e rodo pelo mundo.
Me deixo guiar pelo brilho das estrelas, que anunciam a eternidade a percorrer. Saltar do abismo. Desfazer do egoísmo.
Sigo o horizonte do meu coração. Intenso. Infinito. Exploro países e culturas. Descubro pessoas e provérbios.
Busco na imensidão do céu, a liberdade que procuro. O desejo de independência transborda pelos poros.
O vento toca meus cabelos, e anuncia que é hora de partir. Correr. Correr para me distanciar de uma realidade perfeita-mente vazia.
Preencher o abismo, ocupar a solidão. Descobrir novos caminhos, navegar meus sentimentos.
Afogar-me em pensamentos que não me permito ter. Aflorar meu interior oculto. Deixar emergir as mágoas que enterrei.
Outro espaço. Outra vida. Outro tempo.
A necessidade de viver é a mesma de respirar. Circular o sangue. Bombear o coração.
Não choro mais pelos amores que ficaram para trás, os guardo nas lembranças que compartilharei com a saudade.
Saudade que nas noites frias é minha doce companhia. Compartilhamos segredos, dividimos histórias. Acompanhamos cada chama da fogueira que lentamente se apaga.
É hora de deixar o passado para trás. É hora de celebrar o descoberto.
Um café quente para aliviar o frio que cai da noite. Uma foto pra não deixar que morra tua ultima lembrança. Um sorriso pra chamar a felicidade que transborda. Um abraço imaginário para transcender a dor da perda. A perda da comodidade, da vontade de me fazer presente em um só lugar. Não quero ter os pés presos ao chão. Já não me basta. Preciso de mais. Preciso ter a certeza de que tenho o infinito ao meu favor. Dispor.
Não há mais espaço para receio. Deixei o medo. Deixei o lar.
Tirei o casaco e guardei as máscaras. Dei fim ao personagem. Cortei os fios do impossível. Assumi o controle do inevitável.
Rasguei as roupas e expus meu lado mais fraco. Franco. Sincero. Começar de novo. Sem enganos, desencontros.
Para mim. Comigo. Por mim. Contigo. Inverter a sobreposição da razão. Romper a corrente dos segredos.
Deixar fluir a emoção. Suspirar a verdade. Expirar felicidade.
Em cada anoitecer eu busco o que desejo. Alcanço o que almejo. Esqueço o que padeço. Entendo que mereço.
Em cada anoitecer viajo pelo mundo. Meu mundo. Perfeito. Meu..
O astro rei invade a janela e insistentemente queima meu rosto com os raios da manhã. Os pássaros cantam lá fora, anunciando o despertar de um belo dia.
Abro os olhos e vejo que ainda estou no mesmo lugar. Deixo escapar um suspiro cansado. Igual.
A sensação de estar presa ao chão se fez mais forte. A beleza da manhã passou despercebida.
Vesti o casaco, coloquei as máscaras.
O dia vai ser longo.
Guardei as asas ao lado do travesseiro. Dentro dele está meu universo paralelo.
Desacelerei a rotação do meu mundo. Dei pausa no filme.
Continuo ao anoitecer.

Um comentário:

Rafinha disse...

Tá com tudo pra ser uma grande escritora, isso sim, Mari!!!